Coito interrompido funciona tudo sobre esse método contraceptivo

Coito interrompido funciona tudo sobre esse método contraceptivo

A gente suspeita que você sabe bem o que é coito interrompido. Mas caso ainda não tenha ficado claro, vamos expor neste artigo muitas informações importantes a respeito desse método anticoncepcional muito popular no mundo todo, cujos perigos vão além de uma gravidez sem planejamento.
Você irá aprender como as pessoas ficam expostas à ineficiência dessa prática e como é arriscado tomar um caminho quase certo para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). É possível ter um sexo gostoso sem se arriscar!

O que é coito interrompido?

Coito interrompido é um dos métodos contraceptivos mais utilizados no Brasil¹. Apesar da alta adesão, é uma prática falha, que não garante a proteção contra IST's, nem gravidez, além de interromper a conexão entre os parceiros no ápice do momento de prazer.
Será que você já praticou? Em uma relação sexual, quando a ejaculação está prestes a acontecer, o homem retira o pênis de dentro da vagina. É o famoso 'gozar fora'.
Você já deve ter ouvido em algum lugar aquela expressão “foi um tiro no pé”, certo? Bem, o coito interrompido é bem isso, arriscar-se desnecessariamente em algo que, com certeza, pode dar errado². Nesse momento, muitas pessoas podem pensar que é um ótimo método já que transar sem camisinha e tirar fora na hora de gozar pode funcionar, já que até então não engravidou ninguém utilizando essa forma. Porém, o que as pessoas se esquecem é das infecções transmissíveis que esse método pode causar e do envolvimento em si com a outra pessoa. Até porque, nem tudo diz respeito à gravidez.
Além dos problemas citados anteriormente, existem aqueles que são pouco discutidos, mas também o mais simples de resolver: a dor de cabeça e o tal do arrependimento. Já pensou quantas vezes ficou em pânico por transar sem camisinha e se ver obrigado a receber ou enviar a temida mensagem: 'estou com a menstruação atrasada'?. Não existe nada mais desconfortável para um casal do que passar por essa situação!
Quando a menstruação demora a descer, já bate aquela ansiedade! Além disso, tem as pílulas do dia seguinte, que são verdadeiras 'bombas' hormonais e que não fazem bem à saúde. Às vezes bate aquela insegurança: 'será que meu parceiro realmente gozou fora?' e, infelizmente, a pílula é o recurso remediativo para a situação - isso com todas as restrições para a sua utilização. Ter todo o ciclo menstrual afetado, espinhas e outras respostas do organismo devido a pílula acabam sendo algo prejudicial ao corpo e que não valem a pena.

Para que serve o coito interrompido?

Como dito anteriormente, o coito interrompido é uma técnica muito utilizada no Brasil como meio de evitar a gravidez. Sim, somente 'evitar' uma gestação indesejada, pois as Infecções Sexualmente Transmissíveis não serão evitadas. Ou seja, para transar de forma segura, tirar o pênis da vagina quando for ejacular não serve de muita coisa.
Muitos casais, principalmente, os mais novos, não têm experiência e nem conhecimento sobre algumas substâncias que nosso corpo produz na hora do sexo. Estamos falando, especificamente, daquela lubrificação parecida com clara de ovo, que sai do pênis no momento de excitação, o líquido pré-ejaculatório.
Esse líquido é produzido na glândula bulbouretral mesmo antes da ejaculação, e serve para lubrificar a uretra e controlar o pH para a passagem dos espermatozoides. É comum as pessoas acharem que não há perigo de a mulher engravidar apenas obtendo contato com o líquido seminal, afinal de contas, o homem ainda não gozou.Entretanto, esse é um erro muito grave para quem não quer engravidar, pois é possível que esse líquido possa conter alguns espermatozoides. Tanto é verdade que o coito interrompido tem apenas 78% de eficácia3 : dois, a cada dez casais que praticarem esse método vão engravidar, fazendo com que a utilidade do coito interrompido caia por terra.
E aproveitando que estamos aqui, devemos nos lembrar de uma situação muito recorrente durante a prática sexual. Depois que o homem ejaculou fora, se permanece com o pênis ereto, começa o rala e rola novamente. O problema é que, quando isso acontece sem fazer um xixizinho antes, os espermatozoides permanecem na uretra. Ou seja, caso a mulher esteja no período fértil, a probabilidade de engravidar é muito grande. Percebe como esse método nem sempre é útil para aquilo que é proposto?

Como e por que as pessoas fazem o coito interrompido?

Como as pessoas fazem o coito interrompido, é muito simples de entender, já que basta retirar o pênis do interior da vagina antes de ejacular. Porém, a questão mais importante é entender por que as pessoas preferem utilizar esse método contraceptivo. Inicialmente, podemos constatar superficialmente alguns fatores que podem fazer com que os casais o pratiquem. Veja:

Questões culturais

Quando falamos de fatores culturais que fazem a prática do coito interrompido, estamos nos referindo ao machismo, muitas vezes, sem saberem que se trata disso. E isso acontece em relações em que o cara se recusa a usar o preservativo por acreditar que usá-lo o fará menos homem, acham que diminui a sensibilidade e, em algumas vezes, até perdem a ereção.
Mas entenda que, essas situações são influências psicológicas e culturais, não propriamente causadas pelo preservativo . Ele está ali apenas para ajudar, trazendo segurança. Até porque a coisa mudou e, atualmente, o que mais tem são modelos de camisinhas diferenciadas. Algumas são tão finas que vai parecer que você não está usando nada.

Influências do meio

As influências são mais relacionadas àquilo que, principalmente, o homem vê desde a adolescência na pornografia. Basicamente todos os filmes gringos não trazem o uso de preservativos nas relações sexuais, e é muito comum ver o ator tirar o pênis antes de gozar, ejaculando no rosto, na boca, nos seios ou no bumbum do parceiro ou parceira.Ao acompanhar essa realidade sexual desde muito jovem, introduz no inconsciente do homem que aquilo é interessante de se fazer, e que toda mulher gostará dessa prática. E como tudo no mundo do sexo, nem toda pessoa curte levar uma gozada na cara ou no cabelo , por exemplo.

Educação e machismo

Isso vem mudando (ainda bem) bastante: a gente tenta não se envolver em polêmicas, mas nesse exemplo, não dá, porque, infelizmente, na maioria dos casos, desde nova a mulher não é educada a ter, e não tem liberdade de deixar a camisinha na bolsa sem ser julgada, ficando a mercê do bom senso do parceiro. Por outro lado, o homem pode não ter recebido informações o suficiente sobre como é o sexo e a importância de estar preparado para essas ocasiões. Resultado: o garotão também não anda com camisinhas.Esses dois jovens — mas sabemos que os não tão jovens, também — se encontram em uma balada e resolvem que uma rapidinha sem preservativo, usando o famoso gozar fora, é a melhor pedida pra não perder a oportunidade. Afinal, uma chance dessas é imperdível.

Qual é o maior problema do coito interrompido?

O maior efeito colateral que existe em praticar o coito interrompido sem o uso de preservativo se trata do risco de exposição às Infecções Sexualmente Transmissíveis, como HIV e AIDS . Vamos dar uma pausa, aqui, para explicar que, atualmente, não usamos mais a terminologia Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).
O Ministério da Saúde publicou4 que“a terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis passou a ser adotada porque destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo não apresentando sinais e sintomas”, o contrário do sugerido quando falamos em doenças.
Dando sequência ao nosso papo sincero, vamos jogar a real para você: quem vê cara, não vê IST. Os Módulos da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019⁵ “apontam que aproximadamente 1 milhão de pessoas afirmaram ter diagnóstico médico de Infecção Sexualmente Transmissível ao longo do ano, o que corresponde a 0,6% da população com 18 anos de idade ou mais”.
Quer mais? “As ISTs estão entre os problemas de saúde de maior impacto sobre o sistema público de saúde, e sobre a qualidade de vida das pessoas no Brasil e no mundo. São causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos que são sexualmente transmissíveis, dentre elas, herpes genital, sífilis, gonorreia, HPV, HIV/AIDS, clamídia, tricomoníase, além das hepatites virais B e C, podendo evoluir para graves complicações”5.
Algumas dessas infecções podem aumentar a possibilidade de as pessoas se exporem ao vírus HIV, e no caso da mulher estar grávida, elas poderão ser transmitidas ao bebê. Olha o tamanho do problema que a falta da camisinha pode gerar! Para não ficar em dúvida a respeito das ISTs, abaixo, colocaremos as mais comuns e os seus sintomas.

Clamídia

É a infecção mais comum no mundo6, e o motivo? Ela não apresenta sintomas , fazendo com que seus portadores propaguem sem saber. Apenas 10% das mulheres7 podem apresentar as seguintes reações:

  • corrimento vaginal amarelo e espesso;
  • queimação ao urinar;
  • perda de sangue entre os períodos menstruais;
  • dor durante o contato íntimo.

Em grávidas, pode ocorrer o parto prematuro e, se a criança for infectada, pode apresentar pneumonia, conjuntivite e, até mesmo, morrer. Já na ala masculina, 30% das pessoas com pênis7 podem apresentar inchaço nos testículos, coceiras na abertura do pênis e inflamação no ânus.
Embora os estragos sejam grandes, a infecção tem cura por meio de antibióticos, e o casal deve fazer o tratamento conjunto. Mas claro, tudo isso pode ser evitado com o uso da camisinha

Gonorreia

Muitas pessoas pensam que essa doença só afeta os homens, pois 90% das pessoas com pênis, infectadas, apresentam algum dos sintomas, como é o caso da inflamação na uretra. Porém, também é uma doença que ataca as mulheres, com 50% de possibilidade de ser uma infecção assintomática.8
Por se tratar de uma infecção causada por bactéria, é comum que se desenvolva em locais úmidos e quentes como garganta, olhos e genitais. Quando acontece lá embaixo, pode causar a infertilidade, doença inflamatória pélvica (DIP), dor durante as relações sexuais e gravidez ectópica.
Essa doença tem cura através do uso de antibióticos. Mas, com sinceridade, vale a pena se arriscar?

HIV

Não podemos falar em IST sem citar o HIV. Causador da AIDS, o vírus ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças oportunistas, e transformam agravamentos que não trariam maiores problemas em uma pessoa saudável em um risco de vida iminente para aqueles que o contraíram.
É na primeira fase, chamada de infecção aguda, que ocorre a incubação do HIV, nome dado ao tempo da exposição ao vírus até o surgimento dos primeiros sinais da doença. Esse período varia de três a seis semanas. O organismo leva de 8 a 12 semanas após a infecção para produzir anticorpos anti-HIV9.
Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida. Um perigo, né? Caso haja suspeita de infecção pelo HIV, procure uma unidade de saúde e realize o teste.

Herpes e CMV

A herpes é uma doença bastante perigosa devido a sua sutileza e não ter cura. Ela se manifesta por meio de pequenas bolhas na região genital que, posteriormente, explodem virando feridas bastante doloridas.
O Citomegalovírus (CMV) é uma infecção muito parecida com a herpes e cerca de 80% da população10 já estiveram em contato com o vírus . Ambas as doenças são causadas por vírus e não têm cura, mas existe o tratamento. Não vacile!

Qual a melhor opção para um sexo gostoso e protegido?

Todos nós sabemos que o melhor método para evitar gravidez e pegar uma IST é usar camisinha . Ficou bem claro ao longo do texto, né? Só assim é possível curtir ao máximo o momento sem preocupações futuras.
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Referências:

¹Metropoles.com
²Cinge Ginecologia e Dermatologia
3Tua saúde
4Ministério da Saúde - Infecções Sexualmente Transmissíveis
5Ministério da Saúde - Pesquisa Nacional de Saúde
6Drauzio Varella - Clamídia
7Origen - Centro de Medicina Reprodutiva
8Md.Saúde - Gonorreia: sintomas, transmissão e tratamento
9Biblioteca Virtual em Saúde
10Saúde IG

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